domingo, 5 de fevereiro de 2012

Reticente Enigma em Ambígua Reticência



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Dois instáveis pontos

E um ponto terceiro



Reticente enigma       em ambígua reticência

Suposta metáfora       em metafórica palavra

Estigma marcado       em a.d.u.l.t.e.r.a.d.a. pele




Assim     inclemente     é soletrado     o verbo

Assim     insolente        é dissolvido    o sonho

Assim     se ergue          demente       o mundo




Enquanto               por dentro

                             Arde

                             Esventrante o fogo


Enquanto              por dentro

                            Corrói

                            Cáustico o ácido




São acesos cânticos      Irrompendo em rumor

São vulcânicas vozes     Expelindo em trova

                                                                          A lava

                                                                          O rancor



Assim  convulso         Estremece o corpo

E    em convulsão      Se lamina o verso 



Como perfurante lâmina         sobre pérfida palavra

Como mágoa amolada           num retorcido fuso


Como parte partida                de enegrecida parte

Como frágil verdade               do sonho sem textura




São vielas estreitas

Atalhos enlouquecidos

Indignos lugares


Grilhetas de gelo

A insanidade trespassa




Esparso              o laço que constrange

Deslaçado           o nó que restringe

Longo                 é o ponto que rasga



«Da reticência descende tua dor»



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7 comentários:

  1. olá! encontrei o seu blog por acaso. Comecei a ler este post e comecei a viajar nas palavras. A forma como ele foi escrita está incrível. Parabéns. Gostaria de fAlar várias coisas mais prefiro colocar apenas RETICÊNCIAS ...
    abraços! Visite meu INFINITO PARTICULAR!

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  2. Visceral! Muito bom mesmo, parabéns pelos versos e pela interpretação, Melo!

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  3. Querido Poeta

    Uma ténue linha nos separa do amor ou nos empurra para o abismo e há abismos que são uma ponte para a vida.
    Como sempre vim beber da tua fonte...e vou plena de poesia.

    Beijinho
    Sonhadora

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  4. Como lava o poema escorre, desconhecendo caminhos, descobrindo vielas, deixando no lastro, "escoadas lávicas", que pontuam a emoção: entre explosão e fogo! E nós petrificados diante da beleza dele...

    Beijo, Filipe!

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  5. Olá Gi,

    Assim docemente se descobre o verso

    Que inebriada leio
    Crescente, o poema
    a poesia...

    Assim contente o agrado de reler-te!


    Passei para dar-te um beijinho...



    Assim ardente

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  6. Eu o conheci no CANTO DA BOCA e não resisti. Vim conhecer seu espaço. Impossível não me encantar com seu estilo e sua forma de lidar com as palavras. O valor dos poemas está na emoção que despertam.

    Abraços

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  7. Pelos momentos de entrega, ao fluir da palavra.
    Um abraço, Filipe,
    :-)

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