I.
Digo Memória
E
cristalizo verso
Insone
tempo
Inserto
Em insone
noite
Crisálida insónia em intemporal inverno
Como
instante época
Como
furtivo impasse
II.
Digo Termo
E permaneço
disperso
Estreito
é o passo quando a sombra se demora
E a
navalha passa rente ao verso
Como
trevo contíguo É
lúbrico vento
Como
tom anunciante É
lúrida voz
«Desvelando o pardo da utopia sobreposta
Cingindo na memória aguardada morada
Aguardando o corpo projectado em pó»
III.
Digo Tempo
Num versejar inverso
«Seriam silenciosos os séculos sem tua voz
Seriam ensurdecidos os silêncios sem vez»
Assim do
sonho uma reza o resgata
Indesvendando
a sua insubmissa volatilidade
«Caminharei entre os espaços do vento
Serei sopro sobre o solo
Verso erguido acima do silêncio»
IV.
Digo Espaço
Como
avesso verso
Erguidos
foram todos os pórticos
Desvendados
foram todos os adros
Assim
inscrito se mostra O Lugar
É o templo
transcrito em papiro esperando
É o
incontido corpo em contenção aguardando
Tal mito nu em manto de papel
.
nada convencional, o que é perfeito.
ResponderEliminarsusana g sousa
http://umbrindeaofumo.blogspot.com
Memória, Termo; Tempo, Espaço; O Lugar! Esse interno que conduz o que só a memória sabe, re-vive, que no termo distancia do seu conceito "de menor unidade de representação", mas que divide o igual valor entre as metáforas e a poética inserida, insertada nessas "Crisálidas Insónias em Intemporal Inverno"; nesse tempo que não existia antes da voz, que não resistirá sem a voz; nenhuma vez! E recobre o mito com o papel da poesia!
ResponderEliminarDeixo beijo, Filipe (e admiração)!
Tempo que se foi sem ter ido...verdades guardadas...vontades escondidas...invernos e infernos onde os corpos são uma teia sonhos desfeitos...entre esperas e ausências...sobra a memória.
ResponderEliminarComo sempre sublime.
Beijinhos
Sonhadora
Meu amigo Filipe, de visita para ler teus belos poemas e deixar umas palavrinhas, do pouco que sei. Versos muito originais nos deixas, do intemporal tempo, ainda sem voz, que, ao narrar-se, das "Crisálidas insónias...", alcançou a deseja e esperada palavra, o verso transcrito, que já ecoa, apenas cingido pela memória, já menos algoz, no "Mito nu em manto de papel". Parabéns!
ResponderEliminarAbraços meus.
Jorge Humberto