segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Crisálidas Insónias em Intemporal Inverno





I.


Digo Memória
E cristalizo verso


Insone tempo
Inserto
Em insone noite


Crisálida insónia em intemporal inverno


Como instante época
Como furtivo impasse



II.


Digo Termo
E permaneço disperso


Estreito é o passo quando a sombra se demora
E a navalha passa rente ao verso


Como trevo contíguo                É lúbrico vento
Como tom anunciante              É lúrida voz


«Desvelando o pardo da utopia sobreposta
Cingindo na memória aguardada morada
Aguardando o corpo projectado em pó»



III.


Digo Tempo
Num versejar inverso


«Seriam silenciosos os séculos sem tua voz
Seriam ensurdecidos os silêncios sem vez»


Assim     do sonho     uma reza o resgata 
Indesvendando a sua insubmissa volatilidade


«Caminharei entre os espaços do vento
Serei sopro sobre o solo
Verso erguido acima do silêncio»



IV.


Digo Espaço
Como avesso verso


Erguidos foram todos os pórticos
Desvendados foram todos os adros


Assim inscrito se mostra     O Lugar


É o templo transcrito em papiro                 esperando
É o incontido corpo em contenção            aguardando


Tal mito nu em manto de papel



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4 comentários:

  1. nada convencional, o que é perfeito.
    susana g sousa
    http://umbrindeaofumo.blogspot.com

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  2. Memória, Termo; Tempo, Espaço; O Lugar! Esse interno que conduz o que só a memória sabe, re-vive, que no termo distancia do seu conceito "de menor unidade de representação", mas que divide o igual valor entre as metáforas e a poética inserida, insertada nessas "Crisálidas Insónias em Intemporal Inverno"; nesse tempo que não existia antes da voz, que não resistirá sem a voz; nenhuma vez! E recobre o mito com o papel da poesia!

    Deixo beijo, Filipe (e admiração)!

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  3. Tempo que se foi sem ter ido...verdades guardadas...vontades escondidas...invernos e infernos onde os corpos são uma teia sonhos desfeitos...entre esperas e ausências...sobra a memória.
    Como sempre sublime.
    Beijinhos
    Sonhadora

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  4. Meu amigo Filipe, de visita para ler teus belos poemas e deixar umas palavrinhas, do pouco que sei. Versos muito originais nos deixas, do intemporal tempo, ainda sem voz, que, ao narrar-se, das "Crisálidas insónias...", alcançou a deseja e esperada palavra, o verso transcrito, que já ecoa, apenas cingido pela memória, já menos algoz, no "Mito nu em manto de papel". Parabéns!

    Abraços meus.
    Jorge Humberto

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