I.
«Escritos foram todos os (negros) versos»
Na penumbra suspenso
Um suspiro
Inaugura o Mundo
Todas as cinzas morrem
Assim como em cinza morrem todos os mundos
Enquanto uma flâmula se eleva
Como verso outro
Em ressurgimento
Restaurando das harpas O timbre
Recriando pianos em alvas claves
Restituindo aos círios O lugar
São verdes lírios em pungente canto
É a voz em translúcido coro
Convertendo nas rezas rudes trevas
É o passo sobre límpido fogo
Como força que das águas emerge
É a terra que da terra se eleva
Como irrecusado rumo
II.
«Derramadas se mostram todas as líquidas
mágoas»
Em suspensa dor
A trova
Retrocede o Tempo
Todos os fogos se extinguem
Assim como em fogo se inflamam todas as quimeras
Enquanto uma absurda lágrima se ergue
Como ante-verso
Antevendo no verso
O padecimento
Restituindo às cordas O laço
Recriando
palcos de negras
récitas
Recitando às tochas O lume
São estrofes de ímpia coragem
São sonetos de impura lucidez
São infames recantos em recantos de memória
É a senda como pólen que venda o passo
Nenhuma
treva se remove numa só reza
Assim
como nenhuma reza restaura decessos mundos
III.
Escritos
foram todos os versos
Derramadas
todas as mágoas se mostram
Enquanto o mundo desabrocha
Como verso flor
Colhendo-me
Por
fim
.

Olá, amigo poeta, Giraldoff! Tem um presente de Natal para você no Távola de Estrelas!Desejamos a você votos dum Natal muito Feliz e de um Ano Novo Maravilhoso!
ResponderEliminarabraços e beijos,
JouElam & Dani
Távola de Estrelas: http://jorgemanueledanieledallavecchia.blogspot.com/2011/12/um-selinho-pra-voce.html
Querido Poeta
ResponderEliminarComo sempre IMENSO e INTENSO, adoro como se escreve e descreve...um banho de poesia.
Deixo um beijinho e desejo um bom Natal
Sonhadora
Há um quê de incabível, inconcebível na lucidez, porque ela de certa forma traz realidades que não queremos, mas há também a doçura do conhecimento que se deseja reter. E no decurso do poema, podemos ser volátil com(o) ele, e nos derramarmos em sensações e sentimentos, e desabrocharmos ou ressuscitarmos nas mais diversas formas, inclusive como flor, verso em pétalas, folhas de papéis...
ResponderEliminarSei lá, Filipe...
Beijo!
(algumas vezes a poesia me incomoda)