sábado, 17 de dezembro de 2011

Sonetos de Impura Lucidez






I.

«Escritos foram todos os (negros) versos»


Na penumbra suspenso
Um suspiro
Inaugura o Mundo


Todas as cinzas morrem
Assim como em cinza morrem todos os mundos

Enquanto uma flâmula se eleva
Como verso outro
Em ressurgimento



Restaurando das harpas              O timbre
Recriando pianos                           em alvas claves
Restituindo aos círios                   O lugar




São verdes lírios em pungente canto
É a voz em translúcido coro
Convertendo nas rezas rudes trevas
  

É o passo sobre límpido fogo
Como força que das águas emerge
É a terra que da terra se eleva
Como irrecusado rumo




II.


«Derramadas se mostram todas as líquidas mágoas»


Em suspensa dor
A trova
Retrocede o Tempo


Todos os fogos se extinguem
Assim como em fogo se inflamam todas as quimeras

Enquanto uma absurda lágrima se ergue
Como ante-verso
Antevendo no verso
O padecimento



Restituindo às cordas                 O laço
   Recriando palcos                         de negras récitas
Recitando às tochas                       O lume




São estrofes de ímpia coragem
São sonetos de impura lucidez

São infames recantos em recantos de memória
É a senda como pólen que venda o passo

Nenhuma treva se remove numa só reza
Assim como nenhuma reza restaura decessos mundos




III.


Escritos foram todos os versos
Derramadas todas as mágoas se mostram

Enquanto o mundo desabrocha
Como verso flor
Colhendo-me
Por fim


.

3 comentários:

  1. Olá, amigo poeta, Giraldoff! Tem um presente de Natal para você no Távola de Estrelas!Desejamos a você votos dum Natal muito Feliz e de um Ano Novo Maravilhoso!

    abraços e beijos,

    JouElam & Dani

    Távola de Estrelas: http://jorgemanueledanieledallavecchia.blogspot.com/2011/12/um-selinho-pra-voce.html

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  2. Querido Poeta

    Como sempre IMENSO e INTENSO, adoro como se escreve e descreve...um banho de poesia.

    Deixo um beijinho e desejo um bom Natal
    Sonhadora

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  3. Há um quê de incabível, inconcebível na lucidez, porque ela de certa forma traz realidades que não queremos, mas há também a doçura do conhecimento que se deseja reter. E no decurso do poema, podemos ser volátil com(o) ele, e nos derramarmos em sensações e sentimentos, e desabrocharmos ou ressuscitarmos nas mais diversas formas, inclusive como flor, verso em pétalas, folhas de papéis...

    Sei lá, Filipe...

    Beijo!

    (algumas vezes a poesia me incomoda)

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