I.
Atrás |
|
|
| das horas A boreal aurora
A MEMÓRIA
Em palavras sobrepostas
Como tochas
Versos em chamas Negras
flamas em negros castiçais
Inquietas silhuetas Inconstantes
vultos em constante propagação
Sibilinas sombras Imprecisos
traços em traço de carvão
Retidos rostos Retratos retraídos em largas madrugadas
É a memória sobre áridos trigais
É o passado do passado
Por concluir
II.
Atrás |
|
|
| dos dias Entardecem todas as tardes
Assim como todas as tardes me
entardecem
Um TEMPO
Sem palavras
Temo do tempo o tempo
em que me temo
Um IDIOMA
Inacabado
Verbo disperso em disperso espaço
Sussurrado
Etéreas são as mágoas elevadas
Assim como elevado é o
caminho das águas
Verso
É o poema um lugar sacrificial?
III.
Dentro |
|
|
| de mim Anoitecem todas as noites
Assim como todas as noites em mim anoitecem
Como negras florestas
Todas as planícies se encobrem
Anunciando a sacra via dos
candelabros
A procissão dos sofridos fracassos
O pó que ao pó se irá suceder
Elevando ao alto
Meu medo
Minha dúvida
Minha hesitação
Minha recorrente pena
Porque me quedo em queda quando
meu verso te clama?

Vamos ver se eu consigo articular um comentário à altura do poema, além da minha estupefação e admiração de sempre! Sim, a estupefação se dá porque quando penso que esgotaste todos os recursos estruturais, metafóricos e linguísticos, trazes um poema quase inalcançável, de tamanha grandeza que não dá para eu analisá-lo, de tão limitada que ele me deixa. Me toma, me engole.
ResponderEliminarFiquei imaginando o impacto da situação na qual és compelido a escrever (sim, Filipe, a poesia conclama sua escrita), e as indagações, as situações recorrentes, esse espelho em que descreves a tua poética necessidade do transbordo. E escorre aqui, nesse porta-sonhos, luzido por esses castiçais boreais...
Sem falar que: no poema I, podemos lê-lo em colunas, ou linearmente, e estamos diante de dois espetaculares poemas!
ResponderEliminarNão conhecia a sua escrita.
ResponderEliminarGostei desta espécie de "despenteamento poético" que nos permite construções e desconstruções.
Quantas palavras cabem no teu peito nas noites em que o sol te ado(u)ra a pele?
ResponderEliminare__________é ler-te______a.s.s.i.m______________em sonata de outono_assim como quem respira águas límpidas de rios que desaguam no peito de quem clamas. porque a tua quietude é sempre movimento nos gestos(con)sequentes das letras desordenadas num alinhamento universal dos teus dedos melodia. És poema em poesia. E eu_____________quedo-me fascinada nas tuas florestas de candelabros mágicos que inflamam os corações desprevenidos.
Um_____________beijo.Em memória de mais um poema sublime!