I.
Adiante estende-se negra A Terra
Um poroso estrado
Um escasso espaço
Acima inclinam-se negros Os Céus
Um obscurecido manto
Um constrangido tempo
Ao longe O Horizonte
Uma moldura sem margens
Uma espelhada tela
Um retrato plano
que ao princípio me devolve
«Era imberbe o rosto Sem angústia
Era rebelde o sonho Sem temor
Eram descobertas Eras Sem idade
Era a desvendada vida Sem prazo
Como arcos em íris por vendar»
II.
Negra é a terra que piso
Infértil é o chão enegrecido
Assim como negros são os céus inclinados
que se abatem agora sobre mim
«São exíguos labirintos Caminhos sem caminho
São percursos escusos Anunciados degredos»
Ao longe O horizonte
A Meia Face
O rosto convulso que em faces se reparte
Uma face suspensa face da face retirada
Uma afrontada fronte fonte de água parada
Como se estática sempre tivesse sido
Como se assim tecida tecido tivesse sido seu destino
Metade sem metade
Incrédulo é o rosto de uma lágrima Só
O reflexo perplexo revolto em revolvido movimento
Como se essa fosse a forma de invocar
A face ausente que ao rosto pertence
III.
Incontados são os contos
Incontidos são os traços
E todos os concisos infinitos
Incontáveis são os tempos
Impronunciáveis são os medos
E todas as definitivas formas
Adiante inclina-se A terra
Acima estendem-se Os céus
Ao longe O horizonte
.

Poeta
ResponderEliminarNão tenho palavras para comentar este momento sublime que acabei de sentir.
Deixo um beijo
Sonhadora
.........http://youtu.be/XvsTid667-A...........(Iris, Wim Mertens:-)
ResponderEliminarEra de tempo verbal o momento em que roubaste todas as palavras e me deixas de olhar límpido a tentar inventar alguma que te digam , não sei que gostos de ternura.
ReLEIO.TE. e no momento em que tento guardar.te na memória, reapareces em ímpetos de novas palavras que não conhecia, que não sabia, que ainda não sei soletrar.
s
u
b
l
i
m
e
!
Sugere-nos o título que os Arcos não cegam os olhos ... lua minguante e lua crescente encaixando-se no caixilho, moldura, onde sobressai a tela que alarga a visão ... periférica...que a central -assinalando os focos do vértice poético-
ResponderEliminaramplia "os céus".
Uma bela semana para ti.
Abraços
Já eu chego querendo desvendar tudo que há por trás do poema, das palavras, dos sentidos, dos desejos. Do céu, do horizonte e até do que ainda nao disseste e nem sabes!
ResponderEliminarPoema inaugural de um mundo onde só a emoção o rege.
Um poema, digno de ser chamado poema, Filipe!