quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Arcos em Íris por Vendar







I.


Adiante               estende-se negra           A Terra


Um poroso estrado                         
Um escasso espaço                       




Acima                inclinam-se negros         Os Céus


Um obscurecido manto                                
Um constrangido tempo                            




Ao longe                             O Horizonte


Uma moldura sem margens
Uma espelhada tela
Um retrato plano           
que ao princípio me devolve




«Era imberbe                    o rosto                 Sem angústia
Era rebelde                       o sonho               Sem temor

Eram descobertas Eras                               Sem idade
Era a desvendada vida                                 Sem prazo


Como arcos em íris por vendar»



II.


Negra é a terra                que piso
Infértil é o chão               enegrecido



Assim como negros são os céus inclinados
       que se abatem agora sobre mim



«São exíguos labirintos                               Caminhos sem caminho
São percursos escusos                                Anunciados degredos»




Ao longe                             O horizonte
                                          A Meia Face



O rosto convulso               que em faces se reparte



Uma face suspensa                      face da face retirada      
Uma afrontada fronte                    fonte de água parada


Como se estática sempre tivesse sido
Como se assim tecida                 tecido tivesse sido seu destino




Metade sem metade 
Incrédulo é o rosto de uma lágrima


O reflexo perplexo         revolto em revolvido movimento


Como se essa fosse a forma de invocar 
A face ausente                 que ao rosto pertence




III.


Incontados                       são os contos
Incontidos                        são os traços

E todos os concisos infinitos


Incontáveis                      são os tempos
Impronunciáveis               são os medos

E todas as definitivas formas



Adiante inclina-se          A terra
Acima estendem-se       Os céus
Ao longe                       O horizonte


.

4 comentários:

  1. Poeta

    Não tenho palavras para comentar este momento sublime que acabei de sentir.

    Deixo um beijo
    Sonhadora

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  2. .........http://youtu.be/XvsTid667-A...........(Iris, Wim Mertens:-)

    Era de tempo verbal o momento em que roubaste todas as palavras e me deixas de olhar límpido a tentar inventar alguma que te digam , não sei que gostos de ternura.

    ReLEIO.TE. e no momento em que tento guardar.te na memória, reapareces em ímpetos de novas palavras que não conhecia, que não sabia, que ainda não sei soletrar.
    s
    u
    b
    l
    i
    m
    e
    !

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  3. Sugere-nos o título que os Arcos não cegam os olhos ... lua minguante e lua crescente encaixando-se no caixilho, moldura, onde sobressai a tela que alarga a visão ... periférica...que a central -assinalando os focos do vértice poético-
    amplia "os céus".

    Uma bela semana para ti.

    Abraços

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  4. Já eu chego querendo desvendar tudo que há por trás do poema, das palavras, dos sentidos, dos desejos. Do céu, do horizonte e até do que ainda nao disseste e nem sabes!
    Poema inaugural de um mundo onde só a emoção o rege.

    Um poema, digno de ser chamado poema, Filipe!

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