I.
«Os abismos são erguidos monumentos
monumentais constrangimentos
constrangidos espaços
que espaçam
o tempo circunstancial»
Tempos
antes
do tempo
...tempo houve
«Eram vozes discordantes
Eram presságios errados
Eram profecias errantes»
Era inquieta dor em inquieto tempo
Era um vento obsceno encenado na razão
Como ardente dor era odor e prelúdio
Como imerso fogo era verso implosão
II.
«Os abismos são exíguos círculos
erigidos circuitos
circundantes cursos
movimentos curvos
percursos que retomam
o passo inicial»
Das heras descende a palavra
Nas Eras ascende a voz
«Em desordem reordenado o caos será»
A voz sussurra o tempo como se tempo a voz fosse
Como vento ao vento oposto
Assim inverso irrompe o verbo
Assim o verso se faz sopro submerso
Em ti
III.
Entre tempos
escrevo no tempo
tempo teu
Como sibilada palavra agora escrita
Como segredada voz agora escutada
«Se a eternidade é um poema
Eterno será o tempo perpetuado em ti»
Este é o espaço que te cabe no meu tempo
Como tempo ao tempo oposto
.

Meu Deus!É um dos poemas mais completos que já li. É encantador, forte e suave ao mesmo tempo.
ResponderEliminarNão sei se era intenção do autor, mas percebi essa dualidade no poema. Parabéns!
Existe um tempo que me acolhe,
ResponderEliminaro tempo da minha existência,
e um outro que me entristece,
aquele em que não me encontro...
Relógios torpes,
ponteiros levianos
e para onde vão
os anos dos meus anos
que eu sempre quis
e nunca conheci...
Sou um verso torto
num soneto métrico,
vento sem direção,
corpo presente
d'alma ausente
viajante dum tempo
retrógrado, retrato!
passado, doutro!
vivido, noutro!
saudoso, em mim!
porém...
cheguei tarde demais
para o pertencer...
Olá, amigo poeta, esta questão do tempo sempre me deixa melancólica, porque penso que nasci na época errada,pertenço a um tempo que não é o meu tempo, acho que minha vida é um filme dos anos 30...
Parabéns pelo teu lindo poema!
Eu já não sei se os abismos são pequenos círculos, ou tempos monumentais de uma distância que que (nos)destrói.
ResponderEliminarTenho consciência plena de que algumas vezes, alguns sejam de fato intransponíveis. (E)Levando essa (im)potência ao mais alto nível do desejo, da saudade, da vontade de ser outra vez o tempo que era, que foi.
Na verdade, Filipe, estou é deambulando em voz alta, como se estivesse respondendo a mim mesma (e estou), as tantas perguntas que o seu poema me suscitou.
Demorei-me na imagem da árvore que representa de acordo comigo, o tempo do outono - o meu preferido dentre todos - e vejo uma figura feminina, com braços elevados, revolvendo no ar as folhas do tempo.
Um poema que grifa as cores do outono (um outro e necessário tempo) e do amor.
Um sentimento que pode ser inclusive direcionado à pátria tão vilipendiada - e os (des)caminhos de uma política que está levando o país ao caos... Veja quanto me cingiste de dúvidas e de possibilidades!
Belo, como os demais!
obsceno o fogo que aquieta o tempo.perpétuo enquanto eterno em ti. o oposto do avesso. no inVERSO.posto.
ResponderEliminarsoberba a tua escrita.(tinha tantas saudades de te ler:-)