I.
Como raiz rasgando árida terra
Como fissura fendendo o corpo-solo
Do ventre descende a recta que me intersecta
E ao rosto ascende o pranto como parto de dor
Enquanto a idade fenece a destempo
Como sinal assinalando a vírgula incerta
Assim me treme a voz
Assim me temo como desígnio
Enquanto o corpo se prenuncia chama
E medo
E cinza em pó
«São quimeras rasgadas no ventre do verso
São esventradas palavras de lodo e de lama
São texturas tecidas em ascética métrica
São inauditos ditos sem continuidade»
II.
Como um rito induzido influído é o tempo só
Infecundo caos onde ardo e me extingo
Enquanto chama a chama se apagam todos os archotes
Assim se prostra o tempo como espaço prostrado
Assim se quebra o corpo como vidro laminado
«São frias utopias
E desusadas rezas
São egrégios sacrários
Em igrejas profanas
São inquietas preces
E gritos gritos gritos»
III.
Persigo incólume a incólume morte
Em desentendido entendimento
Num funéreo verso a enfrento
Em descentrado contraimento
«Assim repulso este avulso tempo»
Enquanto a alma clama
Ávida vida
.

Olá, meu amigo poeta! Lá no Távola de Estrelas existe uma página chamada Só Para Os Irremediavelmente Tristes, a criei para poder exprimir de forma livre os versos que nascem à sal e sangue...
ResponderEliminarSer o que sou,
torna-me triste,
porque não caibo
no tempo em que estou,
e se o acaso,
assim me criou
é para que toda a gente
possa rir-se da minha dor...
Agora em agosto será o lançamento do meu livro pela waf aí no Porto(se tudo continuar dando certo),gostaria de convidá-lo para este evento. Será uma honra. Depois passo o dia correto.
Abraços, meu amigo poeta!
Nós, sempre insaciados, a clamar por mais tempo...
ResponderEliminarBelo poema, abço.
Belo como sempre...a constante insatisfação, na eterna procura ! Um beijo!
ResponderEliminarCláudia
lindo amigo, a eterna busca, nossos medos e desencontros, em carne viva.
ResponderEliminarbeijinhos pra ti...
O poema faz amor com as palavras...devora bocados de solidão...despe-se na noite...veste-se de paragrafos...bebe-se lentamente...soletra-se docemente...uma página em branco esperando a
ResponderEliminarilusão.
O poema é a voz que se entorna no papel...um grito infinito...um vazio intensamente cheio...uma dança sensual...vestida de ausência e repleta de solidão.
Adoro sempre o que escreves...e hoje foi isto que senti ao ler-te.
Beijo
Sonhadora
belo.
ResponderEliminarmas apetece-me um poema em que sorrias à dor, com altivez. e passo apressado. e...
...deixo abreijos.
ora vejo uma elegia; ora vejo uma luta entre a vida, a ilusão e a morte!
ResponderEliminarmas algo rasga o ventre da terra e há de brotar!
Belo e complexo poema num anunciar intenso do ser em decadência total...
ResponderEliminarbjos
manuela
Entendo-te desentendido.
ResponderEliminarA alma em fuga.
Sabes que há um lugar onde corpos e almas comungam em dias santos?
B
e
i
j
o...de luar.
(Luna)