Aguarda o corpo
o corpo que o corpo aguarda
Como um verbo em espera
Como um verso d’ água
Onde antes se inscreveu uma dor incolor
Sem tonalidade
Onde antes se escreveu a cor sem cor
Sem espessura
Inscreve-se agora
novo tempo novo
São vozes sopros de cedro vento entre sebes
São esculturas figuras esculpidas na sede
Como anseio e desígnio
Como lugar do corpo
Como escrita profecia
que te pronuncia
«Serão mantos cobertos de girassóis
Serão mil sóis de lustradas cores
Serão luxuriosos rubores
deitados em rubros lençóis»
Como na pausa se pausa pousado tempo
Assim surgirás
Em imprevisto ressurgimento
Como evocada efusão
Quando por entre águas em fogo
o fogo emergir em chama
(com comentário em anexo)

Tenho por regra não responder directa e individualmente aos comentários com que, neste blogue, muitos honram a minha poesia (a mim me honrando)
ResponderEliminar(A todos deixo o meu reconhecido agradecimento).
Cada comentário(e todos merecem a minha atenção) é sempre um forte incentivo para que prossiga esta aventura.
A aventura de escrever, onde, tantas vezes, me inscrevo (em tons cinza).
Talvez pela constância profunda do tom, alguns dos que acompanham de forma mais constante este espaço têm manifestado a vontade de aqui encontrar um poema mais colorido.
Foi em resposta a esse “apelo” que escrevi este poema que também poderia intitular como
“O corpo que o corpo aguarda ou a minha forma de sorrir á dor”.
É bem verdade que predomina na minha escrita um tom cinza,
Talvez porque o poeta seja um eterno sofredor
Mas não é menos verdade, aqui me confesso,
Que o homem que nele se guarda é um eterno sonhador.
Obrigado por sempre estarem
Beijos e abraços
Mt bom também neste registo mais colorido...:)
ResponderEliminarBeijos às cores e abraços também, com cheiro a Verão e a sonhos!
Sublime... a tua poesia, como tão bem nos habituaste. É sempre um prazer ler-te... a poesia em profecia, em ti, em nós...
ResponderEliminarbj
As tuas palavras disseram tanto de mim...e a tua poesia é profunda...e a tristeza pode ser bela conforme as mãos que a pintam.
ResponderEliminarAdoro ler-te.
Um beijinho
Rosa
...e o corpo é deitado ao mar, ora como navegante, ora como condenado...
ResponderEliminarbjos
manuela
Gostei muito desta mudança de tom, mas não a achava necessária. Necessário é que continue a escrever, seja sobre o sofrimento do poeta, seja sobre aquilo de que se serve para disfarçá-lo. E... pronto, gostei muito.
ResponderEliminarcorpos e almas t(r)ocados. a cor é apenas a incandesc~encia inflamada dos sentidos.
ResponderEliminarbeijo de lua cheia.
Luna