domingo, 17 de julho de 2011

Ilusões Incisas em Cinzas de Cristal







Repasso    o passo    cansado

Este percurso de recurvo curso

O compasso turvo que te fez verso

O tempo que se inscreveu inverso




Em retorno     regresso

Ao vidro do espelho      quebrado

Ao vulto   avulso             sem contorno

Ao devoluto mundo que te precedeu




«Eram alvas nébulas talhadas em cobre

Eram faces vitrificadas suspensas em sal

Eram ilusões incisas em cinzas de cristal»




Sustado    persiste      O corpo

Como pétrea estátua sem rosto

Como estático corpo de pedra

Como adro passado     em queda 




Na precisa inconstância das horas

Disforme se forma a sombra 

Assim se formando deformada memória




«Lágrimas que ardem como longa chama

Alongadas labaredas que do fogo se apartam

Ardentes flamas que queimam       sem combustão»




Mudas       cessam as palavras

Como mudo      é o silêncio 

O silêncio      que por dizer       se calou 




.

3 comentários:

  1. Poeta

    Como sempre intensos os teus poemas, como sempre um momento de poesia que se sente...em silêncio.

    Deixo um beijinho
    Sonhadora

    ResponderEliminar
  2. A sensação que tenho é que eu caminho rente a um espelho que reflete meus passos e pensamentos, cuja explosão de sentimentos fragmenta o mundo ao meu redor...

    ResponderEliminar
  3. O silêncio calado faz-me rasgar a musica com gritos de canções revolucionárias.

    A ti faz-te continuar a ser poema. para além de Poeta :-))

    ResponderEliminar