I.
Erguem-se eflúvios fumos
Esfumados rasgos de dor
Etéreas silhuetas elevam-se
Fumos negros em vapor
Traços de sombras em silêncio
Como obscuro relevo
revelado na obscuridade
A memória como negrura negra
O tempo como negro negrume
II.
Agora que se calam as cítaras
Agora que se quebram os ulmeiros
Murmulham nómadas as palavras
Cada rosto é teu rosto
Cada corpo teu culto
Cada verso teu lugar
Assim o silêncio se torna verbo
como verso confesso
Roxas lágrimas
Púrpura dor
III.
Sobre as águas
emergem
Vultos de fogo
Avultadas sombras em chamas
Eflúvios rostos
Fumos perfumados
na dor
.

"Fumos perfumados na dor". A delicadeza do verso com a contudência da palavra. Gosto muito. Abraços, Pedro.
ResponderEliminarFilipe, poesia se altíssima qualidade. Sonoridade, ritmo e imagem poética conjugados com perfeição. Que beleza de poema!
ResponderEliminarLágrimas de cor trazem à memória subdita musa que se viu flor única em seu tempo por roxas púrpuras palavras em seus versos melancólicos e aqui vim encontrar em poesia...
ResponderEliminarSublime!
"Assim o silêncio se torna verbo "
ResponderEliminarQuantas vezes isto acontece, é do silencio que nascem as acções...Gostei...muito!
Um beijo
Suave, terno, memórias num silêncio que é pura poesia...
ResponderEliminarObrigada pela visita; um pouco ausente por doença do meu Pai...
Beijos e abraços
Marta
"A memória como negrura negra
ResponderEliminarO tempo como negro negrume"
Fabuloso este jogo de sentidos que seguem em paralelo (memória/tempo), mas divergentes conforme o estado de alma.
Gostei imenso de todo o poema; obscuro pode ser tudo o que não sentimos, percebemos, desconhecemos, mas sobretudo o que está fechado para a mente... Cada verso é um poema!
O que escreves é sempre muito profundo, muito "existencial", filosoficamente (sou uma simples leiga...)
Bjo :)
Dor purpura de lágrimas roxas do frio no peito.
ResponderEliminarleio-te, vislumbro-me e apresso o passo.
Quebram-se os ulmeiros, o silêncio e a dor. (d)e parto. Não sem ante te dizer que: o fogo é um perfume que aspiramos até à morte.
Outro beijo. d.e.v.i.d.a.:-)