quinta-feira, 9 de junho de 2011

Do Outro Lado do Mundo os Mitos Nascem em Verso






Oculto-me       nas horas



Assim me inverto

Assim se verte o tempo
                                                     Incerto



Como um vaso
                                         vazando
                                                                     no vazio



Vertendo invisíveis transparências

Derramando transparentes invisibilidades



Sombras brancas que flutuam 



Fluem como memória

Afluem como palavra

Tornando-me             incessável poema



Como verso de um sonho insano

Que florescido           murchou




Abismos de lava suspensa

Oblíquas espirais              de chama triangular

Anguladas lâminas           em lábios diagonais 




Metades sobre metades

Partes de partes              incompletas

Como macilentos traços 
                                                de um retrato ensandecido




Delírios sobre delírios

Ecos perdidos                                (quase gritos)

Em emudecido sustenido




Mantos negros                  (talvez céus)

Detalhes de um destino                           por incumprir




Inabitável      é a hora

Ocultado       é o tempo que me pausa,      agora




Do outro lado do mundo         os mitos nascem em verso



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5 comentários:

  1. Boa noite poeta! Adorei teu poema! Não só os versos, mas a forma como o texto foi construído, faz o leitor, além de ler, recitar o texto, sem fôlego no pensamento. Isto me lembrou V de Vendetta nas suas falas. Demais! parabéns!

    abraços!

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  2. Adoro simplesmente...excelente escrita.
    SusanaSousa
    http://escrevedora-s.blogspot.com

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  3. Lindissímo... poesia pura, simples, transparente, umedecida de sentimentos...

    Adorei

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  4. Clap Clap Clap! Voz poética própria, original e profunda. Parabéns!

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  5. Oculto, mostras o que é invisível aos olhos e que a pele sente. Sim Poeta, que preenches vazios de tanto, que derramas gritos, habitas o tempo e ÉS mito. ÉS POEMA.

    ...E eu cumpro o ritual da vénia num abraço e(terno).
    Beijo. Porque sim.

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