I.
Desta dor nada te posso contar
Por detrás do Sol, todo o mundo é negro
Assim como escuras são as sombras de todas as cores
Os sonhos decaem sem que o sintas
Tombam sem sentido
São errantes lugares
Precocemente entardecidos
O tempo passa
As horas ultrapassam-nos
Assim vamos caindo
Como caem todas as folhas
Como se quedam todos os versos
II.
Desta frágua nada te posso dizer
É flama que extingue
É lama que alaga
É água que afunda
Reclusos passos que nos sepultam
Numa sepulcral clausura
Num claustro de vapores
Fraga sobre fraga
Fumo sobre fumo
Onde cada lágrima é um mundo que se ausenta
Em silêncio
Assim se perdem todos os sentires
Assim se pausam todos os saberes
III.
O tempo é um ciclo de ciclos composto
Decomposto de espaços circulares
Que assomam e se dissipam
Em circunstanciais circunferências
Progressivamente menores
Opaca capa nos aguarda
Enquanto nos guardamos
Num espaço d’ espera
Enquanto nos restamos
No tempo que resta
Na margem dúbia do verso
.

Poeta
ResponderEliminarNo outro lado de nós...no lado de lá do sonho ficou a vida...por vezes apenas envolta numa lágrima silenciosa a escorrer no tempo.
Um beijo
Sonhadora
Muito lindo esse seu poema. Triste, mesmo não podendo dizer, deu prá sentir!
ResponderEliminarBjos.
O título do poema já é ineuxarível, e quando prosseguimos na leitura dele, deparamo-nos com uma 'dor que não nos pode contar', porque a dor é mesmo muito solitária e cada um/a sente a sua ao seu modo. E continuas numa poética que recorre a antropologia: "Por detrás do Sol, todo o mundo é negro", e continuas em suas deambulações, metáforas e conceitos.
ResponderEliminarProfetizas a passagem do tempo, ainda que não queiramos, ele existe, passa e passamos com ele.
E desfias hermetismo; desafia-nos com seus versos e vivências, levando-nos a refletirmos sobre as nossas verdades, relaçoes, sentires e experiências!
Essa poesia me pegou, obrigada por tê-la escrito!
Belo canto evocando uma dor que não pode ser contada.
ResponderEliminar"Desta dor nada te posso contar"
...é voz de poeta!
bjos
manuela