sexta-feira, 22 de abril de 2011

E Assim Restam Todos os Altares






Trago na mão as palavras

Ruídas preces
Rezas em ruínas
Rudes cinzas

Idioma perdido
Oculto culto
Cínzeo credo
Crivado em névoas

Nublada negrura que perdura
Negrume
Escritos feridos
Ritos
Dor
Lume

Estranho estanho
Alfabeto estranho
Idílico cilício
  

«Voltarás em madrugadas»

Predita predição
Perdição redita


Digo,
Todas as profecias se cumprem

Reescrevo,
Negro é o silêncio quando a fala se perde
E a linguagem desvanecendo    permanece


Solenes vozes
Escutadas em eco
Como quebrados versos
 Em queda
Na partida dos tempos

Como súplica   
Em suplício redentor
  

Assim
Deserto
Resto
E assim restam todos os altares
Espaços abandonados
Sânscritos lugares


Onde o mito se inscrevia
Inscreve-se agora a noite
Prescrita
Em torpor
Como sombra em seda trajada


Cedo irão nascer
Ásperas sarças
Rupestres flores
Agrestes ciprestes
Talhados na dor

Como som
Como sino
Como sina
Como destino
Como silvo
  
Palavras rasgadas
Como rasgos nos céus
Esquivas alquimias
No terminus dos dias


Trago na mão as palavras

«Meus versos são gestos
Traços de teu traço
Éteres fragmentos
Etéreos espaços
...  gravados»


.




4 comentários:

  1. Palavras...por vezes grito...por vezes silêncio...ferem e amam...sudas e cegas por vezes, cantam e choram as dores do mundo.
    Como sempre sublime.

    Um beijo
    Sonhadora

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  2. Usa as palavras como ninguém... Preocupa-se com cada detalhe, seus poemas são bem trabalhados. Parabéns! Bjo

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  3. boa noite,

    aqui de longe deixo o meu aplauso, minha admiração pela escri bem dita.
    lidia meireles

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  4. desculpe-me, pelo erro de digitação:
    escrita bem dita,
    abraço

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