quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Em Mim Morrem Todos os Versos






S   o   n   h   o 

Inebriado laço
Traço de meu traço

S
u
s
p
e
n
s
a
Corda
Sufoco


P   a  l  a  v  r  a

Sonoro carbono
Velha centelha
Fagulha difusa
Semente incandescente



P   o   e   m   a

Efabulada rábula
Gárgula
Sacristia
Prece circunstancial



Verso a verso,
 Morrem em mim todos os nomes




M  e  t  á  f  o  r  a

Baptismo
Cismo
Oficio
Vício


Magnificente imagem



Corpos
Sedas
Espasmos

Voz
Labareda
Esplendor

Diletantes papoilas
Pupilas dilaceradas
Devotos votos

Letras secas
Gélida geada
Rasgos de dor



L  i  t  u  r  g  i  a

No rebordo da palavra
No resto que resta
O sonho extingue-se em chama


Folha a folha
Desfolho-me

             Em mim morrem todos os versos


                                                                               


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3 comentários:

  1. Poeta

    No rebordo da palavra
    No resto que resta
    O sonho extingue-se em chama


    Folha a folha
    Desfolho-me

    Em mim morrem todos os versos

    Simplesmente belo

    Beijo
    Sonhadora

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  2. em mim morrem todos os versos
    se não morresse assim do meu veneno
    o meu corpo seria um caos de titulos estacionados
    e não saberia onde armazenar madeiros
    pra incendiar o inferno
    em mim moram todos os venenosos
    mesmo aqueles que não têm morada fixa
    e mudam ora prós cabelos ora pra língua e rebordos dos versos..

    (felicito-o pela sua poesia)

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  3. Em ti nasce a letra palavra feita poema com(o) os (teus) sentidos mesmo que proibidos.
    Em ti começa a vida em verso, reverso, oposto do avesso, contrário ou apenas o suave deslizar dos batimentos cardíacos quando, mesmo sem quereres és poesia.

    Beijo com todas as letras, como diz um amigo meu, que não gosta de beijos (bjs) abreviados :-))

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